Todos nós sentimos

– Diogo, eu não sei ficar sem me preocupar com tudo e com todos.

Essa frase costuma ser dita nas sessões iniciais dos meus clientes de coaching, mais exatamente no momento em que pergunto o que a pessoa está sentindo. Tenho encontrado muitas pessoas que não sabem dizer de forma clara o que sentem. Eu entendo, este exercício não é simples e poucos pais sabem, por tanto, poucos filhos aprendem.

Mas o que são emoções? Por que sentimos emoções?

Vamos ver o que alguns estudos científicos têm falado sobre um dos aspectos fundamentais de nossa existência, que marcam de forma contundente os melhores e os piores acontecimentos de nossas vidas.

Nós reagimos ao nosso ambiente. Mais que isso, nós reagimos a todas e quaisquer mudanças no ambiente em que estamos inseridos. Essas mudanças geram estados de entendimento e percepção, aos quais identificamos como emoções. Esses estados mentais, ou emoções, orientam nosso comportamento com o objetivo de ampliar nossa capacidade de adaptação.

Infelizmente, nem sempre as emoções nos indicam o melhor caminho, ou a melhor ação possível em determinadas situações. Mas na maioria das vezes elas nos ajudam a nos proteger. Por exemplo: quando sentimos um cheiro ruim, ou nojo, de um alimento, isso pode ser um forte indicativo que, de forma inconsciente, nosso cérebro percebeu algo errado na comida, e ela pode estar estragada. Assim a reação é sentir nojo e não comer. Essa emoção, o nojo, evita que você coma algo estragado e coloque em risco seu bem-estar. Mas quando você sente medo de estar na presença de outras pessoas? Isso pode te levar a fobia social, e obviamente essa emoção, o medo, não te leva, nesta hipótese, a um comportamento que lhe favoreça.

Se estudarmos todas as culturas que encontramos ao redor do mundo, identificaremos 7 emoções básicas comum a todos: Raiva, nojo, desprezo, tristeza, susto, felicidade e medo. De modo geral, todas são facilmente identificáveis no rosto da maioria das pessoas.

Algumas características comuns a todas as emoções são: iniciarem de forma rápida e espontânea, e serem resultado de uma avaliação automática do ambiente.

É importante nos atentarmos ao fato de que sentimentos e emoções são coisas diferentes. Os sentimentos são resultados das vivências emocionais, isto é, são a nossa interpretação do que aconteceu conosco quando sentimos uma emoção.

Uma pesquisa, com foco em emoções, pediu para que voluntários tomassem um medicamento e prestassem atenção em seus efeitos. Obviamente, os organizadores informavam que a pesquisa não geraria nenhum risco aos voluntários. Após a ingestão do medicamento o participante deveria ir para uma sala aguardar alguns minutos e preencher um questionário.

O que eles não sabiam é que haviam ingerido adrenalina. Ao entrar na sala o participante se deparava com diversas outros voluntários e um infiltrado da equipe de pesquisa. Dizendo, falsamente, ter tomado o medicamento, esse infiltrado, comentava, com os participantes, estar agitado e sentindo alegria. Em outra sala com outro grupo de voluntários, este mesmo infiltrado se comportava de forma agressiva e dizia estar sentindo raiva.

Em resumo, todos que foram para a sala onde havia o infiltrado dizendo estar alegre, responderam, no questionário, que se sentiam alegres também. Da mesma forma aqueles que estiveram na sala com o infiltrado dizendo estar com raiva, também responderam sentir esta emoção.

Esta experiência nos mostra que não basta levar em conta somente as mudanças fisiológicas, temos também que considerar o meio para entender o que sentimos. Por isso, é compreensível que você fique inseguro ao determinar que emoção está sentindo.

Entender suas emoções é um passo complexo, porém importante. Sem entender o que o medo gera em você, fica mais difícil solucionar a causa raiz desta emoção. Se reconhecer emocionalmente, isto é, entender como você reage às emoções, faz com que elas trabalhem ainda mais ao seu favor. Uma pessoa preocupada, conforme o exemplo inicial, pode apenas estar sentindo que algo na sua rotina amorosa não vai bem, ou que não está fazendo o seu trabalho como gostaria. Porém, sem identificar que está sentindo medo, ela não tem como perceber que basta uma conversa franca com seu parceiro, ou revisar as rotinas do trabalho para se ter uma vida mais leve.

Mas por que sentimos emoções?

Porque precisamos nos defender! Imagine se estivéssemos a 1 milhão de anos atrás, caçando na mata, e nos deparássemos com um tigre. Não é melhor que nossos corpos produzam hormônios que possam aumentar nossa frequência cardíaca, acelerar nosso metabolismo, aumentar a oxigenação no sangue, dilatar nossas veias e artérias e abrir ainda mais nossas pupilas? Com isso enxergamos melhor, corremos mais rápido e mais por mais tempo, e conseguimos utilizar de toda nossa potência muscular para proteger nossa estrutura física, tanto em uma fuga, quanto em um combate.

Apesar de, nos dias de hoje, não termos o medo diário da morte, ainda sim nosso cérebro segue buscando ameaças ao nosso redor. Por isso a inveja, a soberba, o egoísmo, e tantos outros sentimentos, aparecem com tanta força e tanta frequência. Nós desviamos a origem da emoção para algo que nos parece errado, sem admitirmos que o erro pode estar em nós. Se eu tenho medo sobre como as pessoas me enxergam, eu irei me comportar de forma pomposa, ou como alguém que quer deixar claro que não se sente ameaçado. Aos olhos das pessoas ao meu redor eu estou sendo arrogante.

Por este motivo acredito que o gestor deva possuir o entendimento do que são emoções, sentimentos e comportamentos. Com esse conhecimento ele pode não só dar o exemplo de uma postura adequada, mas também auxiliar seus colaboradores a entender, a interpretar e a direcionar. Uma emoção interpretada de forma correta é uma maravilhosa ferramenta. A raiva é uma ótima motivadora, a felicidade é uma ótima parceira de relação, a tristeza é ótima companhia nos momentos de reflexão. Assim são todas as emoções, tem seu lado positivo e negativo, tanto no excesso quanto na falta.

Não deixe que suas emoções lhe levem para um mundo em que você não quer viver. Utiliza-as para alcançar sua melhor performance. Para entender-se como pessoa. Para entender ao próximo. Para fazer da sua vida uma experiência mais completa.  

Sua equipe também sente tudo isso. Não seja o tigre.

Diogo Monticeli Rocha

Sócio Gerente de Expansão

Russell Bedford Brasil

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