O Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica no Brasil: Desafios.

O PPDTSEE (Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica) é fruto da Lei nº 9.991, 24 de julho de 2000, que prega que as concessionárias de serviços públicos de distribuição, transmissão ou geração de energia elétrica, além das permissionárias de serviços públicos de distribuição de energia elétrica, e as autorizadas à produção independente de energia elétrica têm de aplicar, todos os anos, uma porcentagem mínima da sua ROL (Receita Operacional Líquida) em iniciativas de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia (P&D), conforme normas decretadas pela ANEEL.

O objetivo do Programa é promover, por meio do investimento obrigatório em projetos de P&D, a cultura da inovação, estimulando o setor elétrico brasileiro, criando novos equipamentos e aprimorando a prestação de serviços que contribuam para a segurança do fornecimento de energia elétrica, a modicidade tarifária, a diminuição do impacto ambiental do setor e da dependência tecnológica do país.

Considerando a análise dos projetos de P&D que obtiveram o investimento obrigatório, nota-se que no programa da ANEEL as organizações priorizam as parcerias com as universidades, o que tem resultado em projetos sem união para com as demandas de mercado. Na lista destes projetos existe um grande volume de atividades relacionadas diretamente com a Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento Experimental, ou seja, em um viés acadêmico. O programa do governo tem tido como resultado principal a produção de uma grande quantidade de artigos, dissertações e teses, porém não muito em soluções tecnológicas práticas, o que resultaria, possivelmente, em soluções tecnológicas reais que transformariam o dia a dia da sociedade.

Tudo sobre a LGPD - Lei de proteção aos Dados do Brasil
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A forma mais tradicional de abordagem, em contrapartida, é a das concessionárias, estas que muitas vezes são as responsáveis por melhores resultados, que investem em P&D com prazos curtos e amarras corporativas. O que se questiona, na verdade, é se deveriam investir em projetos de impulsão de sua competitividade mercadológica, focado na economia do país, inclusive mais a longo prazo. Ademais, já existem algumas concessionárias que estão buscando projetos alinhados ao regulamento da ANEEL, porém trazendo inovações alinhadas não apenas a uma estratégia de mercado, mas com viés também acadêmico.

É uma mudança de ares.

Isso representa apenas o início de um longo caminho, de mudança de norte para o P&D, de forma a fazer com que o investimento obrigatório acabe por ser muito mais eficiente e aplicável na realidade, não apenas em folhas de um relatório de pesquisa.

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