O dilema do fim de um contrato no mercado de auditorias mundial

Em determinadas situações entendidas como decisórias, empresas de contabilidade são obrigadas a revisarem seus clientes a fim de se afastarem daqueles que, sem dúvidas, representem problemas em potencial, independendo de tamanho, seja do cliente, tampouco da empresa. Tais medidas normalmente vem atreladas à advertências de auditores, estes que irão indicar como solução destas revisões a dissolução de uma parceria, em especial sobre empresas que se encontram em setores mais voláteis do mercado, como varejo, terceirização e aquelas que enfrentaram críticas sobre seus controles financeiros e sobre sua governança.

Fato é que toda e qualquer empresa de contabilidade quer, em seu rol de clientes, apenas aquelas organizações que as colocam em uma posição de qualidade inabalável.

Mesmo que seja impossível criar uma agenda tão estrelar, para algumas auditorias valores de taxas abaixo do seu próprio custo de serviço e problemas de governança podem ser motivos suficientes para se descartar uma empresa, independentemente do tamanho ou renome dela. Estas decisões são, por exemplo, mais comuns em casos do Reino Unido, onde este movimento de dispensa, seja por baixo lucro ou por má-conduta, já começou a se estabelecer e tem contribuído para o surgimento do medo reverso de que, descartando as empresas por razões não tão problemáticas, o mercado financeiro do país se desestabilize. Para algumas empresas este movimento de exclusão tem tornado as auditorias menos atraentes de serem contratadas, já que a possibilidade de eliminarem a parceria no primeiro momento de crise é quase certo.

Tudo sobre a LGPD - Lei de proteção aos Dados do Brasil
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O que é certo é que este aumento de custo está resultando na necessidade de contratação de pessoal mais qualificado e mais investimento em tecnologia e, no que tange a fragilidade dos contratos, fazendo com que empresas de auditoria dispensem clientes e acabem tendo que se adequar a um sistema que as pressiona cada vez mais a atingir lucratividade. Ainda, custos de ajustamento e de cumprimento de regulamentações acabam sempre encarecendo o processo, fazendo com que dispensem aquelas empresas que lhes tragam baixo lucro. No final e em resumo, o que se gerou em realidade foi um ciclo vicioso, que não parece agora ter uma solução simples, uma roda estabelecida tacitamente, gerando de um lado uma corrida obstinada pelo lucro e, de outro, o medo de ficar na linha tênue entre a adequação ou o fim de um contrato.

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