ESG no Agronegócio – Uma jornada que necessita de comunicação

A sigla ESG por muitos conhecida, condiz a área de sustentabilidade, social e governança,
sendo característica que dia a dia ganha mais força no território empresarial brasileiro. A
pergunta que muitos fazem, é por que as empresas neste momento passam a falar tanto em
ESG, algo que até alguns anos atrás não era tão sentido.

A resposta é dual, ou seja, são dois motivos que levam as empresas a falarem em ESG,
primeiro em relação ao mercado financeiro, pois muitos fundos de investimento buscam
empresas comprometidas com estes conceitos, em segundo, os próprios consumidores, que
também possuem esse viés para o consumo de produtos advindos do Agro.

Dentro deste contexto, entendemos que a conjunção mais difícil de ser implementada, é na
verdade aquela voltada para sustentabilidade, porquanto governança e medidas sociais
alhueres já vem sendo desenvolvidas, estando exclusivamente nas “mãos” das empresa.

O problema do Agro na questão da sustentabilidade é que se estica a corda entre o bom e
mau, havendo sempre um viés de crítica ácida tanto do lado dos consumidores, como dos
investidores, convergindo indistintamente para um cenário de terra arrasada.

Em relação aos investidores as empresas vem trabalhando muito bem, apresentando
relatórios ESG, sendo alocado em regra na área de relacionamento com o investidor,
permitindo que estes saibam as atividades comprometidas em relação a sustentabilidade,
social e governança.

Atualmente o problema maior pesa em relação aos fornecedores da matéria prima, quais
sejam, os produtores rurais. Primeiro em razão de existir uma pecha sobre os mesmos de
agressores do meio ambiente e segundo, mote deste artigo, porque não há um diálogo
saudável das empresas para com estes fornecedores de matéria prima explicando o motivo
pelo qual se volta os olhos para sustentabilidade.

O fato é que empresas comprometidas com ESG, imprescindem que seus fornecedores
também tenham esta mesma concepção em relação as premissas. Se por um lado governança
e social depende somente da empresa, quando você fala em sustentabilidade no Agro, isso vai
demandar também que os fornecedores também estejam engajados.
Vejam que para uma empresa do Agro informar que é sustentável ambientalmente ela deve
ter fornecedores que também sigam estas diretrizes. Então de nada adianta um frigorifico
dizer que está comprometido com ESG, se compra toda a sua matéria prima de fornecedores
que desmatam e poluem nascentes, por exemplo. Da mesma forma, uma empresa de grãos,
não tem comprometimento ESG se adquire soja, arroz ou trigo, por exemplo, de produtores

que não possuem licenciamento ambiental ou fazem barreiras ilegais em rios para captação de
água.

Estes fatos são exemplos sobre a importância dos fornecedores de matéria prima,
especialmente no agro, de estarem perfilados as questões de sustentabilidade, pois não
adianta uma empresa narrar que está de acordo com os padrões ESG, se os seus fornecedores
não comungam deste ideal.
Como falamos, a governança e o social competem tão somente a própria empresa, não
dependendo de terceiros, mas como dizer que está seguindo padrões ESG se um frigorifico ou
uma empresa que compra grãos, adquire o produto in natura de produtores
descomprometidos com a sustentabilidade ambiental?
Dentro de um exemplo bem claro: se um frigorifico compra gado de produtores que não
prezam pelo bem estar animal, pelo cuidados das nascentes, aos rios, ao bioma nativo, por
exemplo, não há como afirmar que estamos diante de uma empresa preocupada com a
sustentabilidade ambiental ESG.
Diversamente de outras empresas que tomando medidas de sustentabilidade, como energias
renováveis, controle da poluição com reuso de água, compensações ambientais estará
adequada a ESG, o agro não se resume apenas a estes pontos (que podemos chamar de
unilaterais), pois em regra vende o produto in natura e sobre isso recai grande
responsabilidade de adquiri-los de pessoas (produtores) que na origem sigam padrões de
sustentabilidade.
Ora, o que buscamos dizer é que em última instância, o pecuarista produz carne, vendendo
esta carne ao frigorifico que revende ao consumidor, estando nesta cadeia a importância dos
fornecedores de matéria prima possuírem padrões de sustentabilidade para finalmente as
empresas do Agro estarem de acordo com os padrões ESG, sobre pena de ser taxada como
greenwashing.
É justamente desta vinculação da cadeia produtiva no agro que nasce o senso de comunicação
entre as empresas e seus fornecedores, explicando os motivos pelos quais prima pela
sustentabilidade ambiental.
Atualmente é muito incipiente esse diálogo entre as empresas e seus fornecedores,
produtores rurais, os quais em regra, não entendem porque esse viés de sustentabilidade, e
sem esta devida compreensão, cunham qualquer movimento neste sentido de eco chato.
O fato é que as regras são imposta sem um diálogo franco em aberto, não temos notícia sobre
frigoríficos ou empresas graneleiras sentarem com os produtores rurais de determinada região
e explicarem que a sustentabilidade ambiental é compromisso da empresa, porque assim
exigem os investidores e também os seus consumidores.
Essa ausência de diálogo afeta de sobremaneira o caminho ESG para as empresas do Agro, pois
sem entender a finalidade, ou melhor, sem entender os objetivos da empresa nesta
caminhada, os seus fornecedores de matéria prima jamais vão se empenhar em evidenciar
práticas de sustentabilidade.
Com isso, não resta alternativa, senão a bonificação em produtos advindos de um ambiente de
sustentabilidade, o que torna a cadeia moroso e cara, já que exigirá auditoria e evidências para

verificar se o produtor está seguindo um padrão de sustentabilidade e ou também uma
bonificação financeira por aquele produto.
Realmente isso é uma grande oportunidade para o produtor, mas para a empresa que busca se
colocar no mercado como mantenedora da práticas ESG, é situação que efetivamente cria uma
cadeia artificial de produtores em sustentabilidade.
Essa artificialidade, cria uma grande fragilidade, pois se usurparmos a auditoria ou retirarmos a
bonificação, certamente os produtores não se manterão fieis ao padrão de sustentabilidade,
isso porque a compreensão deles em relação à sustentabilidade é pela via da retribuição
financeira, justamente por não entender o que move a empresa neste sentido.

Assim que para criar um ambiente de crescimento orgânico na cadeia do agro, onde os
fornecedores de matéria prima são chaves para sustentabilidade ambiental, deveria existir
muito mais diálogo e informação.

Aliás, uma coisa deve ficar muito clara, a regra é que a grande maioria dos produtores siga
padrões de criação sustentáveis, até mesmo porque as legislações ambientais no Brasil são
extremamente rígidas, com pensadas punições financeiras, inclusive de cerceamento de
liberdade.
Ao nosso sentir as empresas do Agro que buscam realmente seguir padrões ESG deveriam
instituir o diálogo com a cadeia, explicando até mesmo do que se trata a sigla ESG. Estes dias
passei num grupo de 1.300 pecuaristas do Rio Grande do Sul o convite para um evento sobre o
tema e apenas 2 sabiam sobre do que se tratava.
É inconcebível pensar que o produtor rural, aquele que fornecerá a matéria prima para
empresa revende-la, e que portanto, deve ter concebido o produto (carne e grãos) em
sustentabilidade, não saiba o que significa a sigla ESG.
Enquanto isso acontecer, por mais que as empresas do setor se empenhem em relatórios ESG,
buscando ênfase em sustentabilidade, na minha opinião estaremos diante de um
greenwhashing, já que não é possível, por exemplo, vender carne sobre esta pecha de
sustentabilidade, se ela foi produzida num ambiente de desmatamento.
Em tom derradeiro, as empresas do Agro dependem da cadeia de produtores para fins de
sustentabilidade, e enquanto está preocupação não for despertada de forma orgânica, a qual
somente será atingida através do diálogo, fatalmente seguirá dois caminhos: emitirá um
relatório greenwashing ou gastará milhões com certificações e bonificações.

 

 

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